domingo, 8 de maio de 2011

Autumn hurts.

Você tão lindo, como sempre, envolto por uma aura cor de outono. Usada, gasta, clichê. Laranja, amarelo e marrom opacos pintaram a tua chegada. Deixando em evidência seus lábios vermelhos. O sol quentinho da tarde aquecia meu corpo frio pelo vento de outono, sentado no banco, assistindo seu corpo esguio se estender até mim. E então eu só lembro da cor dos teus olhos, cor de outono. Das folhas caindo ao nosso redor e do teu sorriso estonteante, mais brilhante que o sol. Teu cheiro, entorpecente, como morangos recém colhidos.
Flash.
E você está ao meu lado, me abraçando, me protegendo, me escondendo do resto do mundo. Dentro de si. Mãos segurando delicadamente minha cintura, segurança.
Nariz gelado no meu pescoço quentinho, a risada gostosa, espontânea, repleta de felicidade. Eu te amo. Você disse.
Sussurrado, entranhado, cravado contra minha pele. Eu senti suas palavras ao invés de ouvi-las. Eu também. Do fundo do meu coração. Botou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha, seu toque suave, aveludado, que eu reconheceria em um milhão.
Porque ninguém mais entenderia a doçura do teu olhar, teus olhos cor-de-oliva que me desarmam, quentes como o inferno no crepúsculo mais frio do Outono. Então estatou-se um fato, nada mais no mundo iria me fazer mais feliz do que alguns raios de sol com você. Medimos os milésimos em beijos, os segundos em carícias, e as horas em amor. Não existia outro lugar pra mim nem nesse mundo, nem no vazio do universo. E todas as outras pessoas, tão descartáveis e incoerentes, nunca teriam a chance de presenciar tanta doçura.
Think I was blind before I met you.
Eu também, meu amor, como se eu tivesse acabado de acordar. E nada mais fez sentido. Estrela nenhuma tinha o brilho dos teus olhos. Perfume nenhum se compararia ao teu. Corpo nenhum moldaria melhor o meu, a noite, debaixo das cobertas, como um segredo só nosso. Não por vergonha, mas por ciúmes que o resto do mundo visse o que havia sido feito apenas para nós dois, o quão perfeito teu corpo se encaixava se no meu.
E as folhas caíam, o sol abaixava, o mundo girava e todas as vidas prosseguiam. Nós parados, congelados no tempo e espaço, incapazes de nos desenrolarmos por medo de que uma respiração descompassada quebrasse a fragilidade da cena. Dois amantes. Eu e você.

"Então eu acordei
feliz e contente!
Era sonho, claro.
Mas, como se sabe,
é no sonho que ocorre
o que se deseja
e no mundo não cabe."