segunda-feira, 19 de julho de 2010

Just another dreamless life.

É claro que tudo o que não temos mais, deixam uma marca. Ainda mais se eramos apegados.
Ainda mais se eram pessoas.
Essas deixam marcas irreparaveis, insubstituiveis. E pra sempre lá está, um vazio que antes de ser preenchido, nem sabiamos que existia. Que só nos damos conta de que falta, quando o buraco na alma é o único vestígio de que algo aconteceu.
E vivemos assim, com diversos buracos. De todas as pessoas que diariamente sentimos falta, algumas que vem, outras que vão. Todos as vidas que interferi.
E o buraco de proporções extremas na minha alma, no meu coração e em meu corpo. Saudade do que talvez acontecesse. Destinos inversos. Vidas opostas. Sonhos iguais.

"Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?"

Ah, se eu pudesse mudar tudo e escolher outro alguém para amar. A resposta seria não.
Eu faria tudo igual, e você continuaria sendo a única.
Não consigo sequer imaginar uma vida minha, na qual você não existisse. Esse vazio tem de existir para me lembrar de tudo o que perdi. Para lembrar de que um dia eu fui o seu mundo, sua luz, seu único amor. Que eu fui tudo pra você, assim como você é pra mim.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

The same moon over us.

Sinto falta de tantas coisas.
Sinto falta de dez anos atrás, sensações, de sonhos que eu costumava ter, de pensamentos e histórias. Sinto falta de cheiros e sabores, que me lembram outras coisas das quais sinto falta.
Sinto falta de pessoas e relacionamentos. Sinto falta de coisas que nunca tive.
Sinto falta daquela sensação que eu tive, quando passei por aquele lugar, escutando aquela música, e lembrei de alguém.
Reação em cadeia, efeito dominó. Sinto falta do futuro e do que nunca aconteceu.

Tudo o que foi realidade nos meus sonhos, aquilo que eu gritei à plenos pulmões. Sinto falta de quando você dizia que me amava, e eu - tão tolo - acreditava, e não é só a falta que você me faz, é saudade, é aperto no coração e alma esburacada. É falta de oxigênio, é o mar derrubando o castelinho de areia.
São sonhos inutilizados e não reaproveitaveis.

É chuva e sol sem arco-íris, caixinha de lápis de cor sem vermelho, inverno sem cobertor, noite sem lua, é papel sem caneta.

Pra quem escreverei meus versos, com quem compartilharei minha insanidade, em quem vou pensar antes de dormir? Pode parecer que é só isso, mas não é.
É fácil se apaixonar pela dor.
De duas uma, ou você se fecha e guarda o verdadeiro amor pra si (mesmo que ele não exista mais), ou diz eu te amo pra cada estrela do céu.

Tão iguais. Tão diferentes.

O mesmo céu pra mim e pra você.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

If I could turn back time.

Me deem um pouco de espaço pra surtar.
Não esperem que eu aja como uma adulta. Não me tratem como uma.
Dezessete anos e só porque eu sou diferente, não significa que eu não seja insegura como todo mundo.
Não me olhem como se eu soubesse que é pro meu próprio bem. Eu ainda posso não querer.

De longe, a pior das vidas que eu já tive.

sábado, 3 de julho de 2010

Right here, right now.

E lá estava você, encarando o oceano do alto, desafiando-o. Talvez disputassem para saber quem piscaria primeiro. De relance, seus olhos de ressaca, cor-de-oliva e toda sua transparência, minha passagem pra sua alma.
O sol teimava em aquecer o outro lado da montanha, fazendo sombra na infinitude salgada, cheiro de maresia, areia nos seus cabelos desarrumados pelo vento.
E era isso, até onde os olhos podiam enxergar. Não que eu visse algo além de você.
Sem ver teu corpo, teu rosto, sem saber teu gosto, teu cheiro. Te reconheci por um olhar.
Todas as estrelas que não deveriam estar no céu durante o dia, a não ser Vênus, despontando no céu degradê de outono.

Contei-as nos seus olhos.

Entrei na casinha destoada da paisagem, inconfortavelmente aconchegante, era quente. Estava em casa.

Me perdendo por entre as estrelas do céu e do mar, areia em meus cabelos, dessa vez. Uma dúzia de estrelas cadentes, fechei os olhos e desejei não estar nunca em outro lugar. Dia frio na praia. Laranja, verde e azul, pintavam o reflexo no mar.
Caminhei até o trapiche, deitei na beirada, de barriga pra baixo, observando a água rasa e cristalina, vida, tanta vida vivendo embaixo de mim. Toquei a água frágil com meus dedos tatuados e disturbei sua paz, você veio até mim pelo mar. Fitei seus olhos, tudo o que vi nos seus, fui eu mesmo. E vice e versa. De joelhos enterrados na areia, mãos no meu rosto.
Você molhado, salgado, gelado, fechou os olhos e me beijou. De olhos igualmente fechados, outra dúzia de estrelas cadentes, e pra que desejar? Talvez fossem fogos de artifício, talvez fosse só você e o efeito que tem em mim. Seu cheiro, meu oxigênio.
Sussurrei baixinho, pra que nem o vento pudesse ouvir, pra que isso fosse pra sempre um segredo, pra que ninguém soubesse que fim levou a perfeição.

Pra que só você guardasse o "eu te amo" que proferi em seus lábios.