Faz um tempo, mas eu me lembro.
Esses dias eu fui pra Florianópolis, admito, fazia um tempo que eu não ia pra lá. E ir pra Florianópolis significa passar por Biguaçú e Bela Vista. Pode-se dizer que eu fui me afastando ao longo desses 15 anos. É estranho ver como as coisas nunca estão como nós as deixamos. Nada mesmo, seja de um dia pro outro, ou de um ano pro outro. Hoje eu entendo aquela frase: "You can't go home."
Você não pode ir casa, tudo é tão instável. É loucura acreditar que talvez já seja outra casa? Com um móvel num local diferente, com menos poeira, ou com um tapete novo. Acho que isso faz parte de crescer. Crescer e amadurecer.
Hoje, em São José, tem uma agência dos correios, onde há uns 11 anos, tinha nada mais do que um terreno vazio. Lembro que meu pai trabalhava lá perto, e passando pela rua, viu uma caixa de papelão jogada, com gatinhos dentro. De noite, ele levou eu e a minha mãe pra lá, a gente tinha levado pão amolecido com leite. E hoje tem um enorme prédio em cima das minhas lembranças. A casa onde eu morava em Bela Vista agora é um comércio. E o local onde o meu pai trabalhava, tá abandonado. É estranho, é uma sensação estranha, de estar deixando tudo pra trás.
É óbvio, a gente tem que crescer, e "deixar pra trás o que nós pensamos que conhecemos". Talvez se nos arriscassemos mais, se vivessemos um pouco mais a insegurança, e encarassemos todo o drama da vida com emoção. Talvez.
Afinal quem sou eu pra dizer alguma coisa, quando tudo o que eu sei é viver de minhas memórias. Eu as conheço tão bem, e ainda assim não consigo desprendê-las de mim.
Às vezes eu acho que é um pouco de medo, de deitar a noite e não ter em quem pensar. Mas não é isso. Não parece isso.
A verdade é que tudo o que eu conheço é você. O meu porto seguro ainda é você e tudo o que voê um dia já me disse, e me fez sentir. A minha segurança está em nós, e a insegurança não combina tanto comigo, eu tenho medo de um dia te esquecer, de um dia aceitar que nunca estaremos juntos.
Eu tenho medo de descobrir que eu nunca te amei. Eu tenho medo de encontrar alguém que me faça perder a razão, que me faça arriscar. Tudo ou nada, eu prefiro o nada, tudo só se for com você.
Você é o meu lar, minha razão, meu sentido, é tudo o que eu tenho. Por não estar pronta ainda pra encarar alguém, por enquanto (só por enquanto), eu prefiro ter a certeza de você, do que a incerteza de qualquer um.