domingo, 6 de setembro de 2009

The things I'll miss the most

Acordei já sentindo falta, com um pedaço de mim faltando.
Aquele aperto no peito, duas ou três lágrimas, a realidade fazendo seu papel em cima dos meus sonhos.
Seria bom ficar sonhando, sem saber do que me espera quando eu estiver acordada, nos meus sonhos as coisas parecem mais justas, lá as pessoas não morrem de amor, elas vivem de amor.
Coisas simples, das quais eu sinto mais falta do que deveria. Coisas que passaram despercebidas, e hoje fazem falta.
Principalmente a simplicidade. A saudade do tempo que era muito fácil encontrar um motivo pra sorrir, e que não dependia de ninguém além de mim mesma.

A liberdade.
A inocência.
Minha infância.

Vou sentir falta de (dois pontos)

Acordar cedo no sábado, às 7:00hrs, e ir pra sala com meu travesseiro e cobertor pra assistir desenhos.
Brincar de amarelinha com minha mãe na 'garagem' da Bela Vista.
Da Linkinha.
Da minha piscina de plástico redonda e do meu biquíni laranja.
Do meu cabelo preto e impecavelmente liso (que minha mãe se preocupava em secar e pentear).
De ir até o serviço do meu pai, cutucando os 'dorme-dormes' pelo caminho, e correndo dos 'quero-queros'.
Dos meus livros de pintar.
Daquela menina cujo nome eu não lembro, que adorava me apertar, e que eu sempre fugia.
Dos cabelos compridos da minha mãe.
De ficar até tarde andando de bicicleta na rua.
De brincar de balanço.
De viver na casa das amigas.
De ir pra praia todo dia.
De parar o que quer que seja que eu estivesse fazendo, pra dar minha completa e extrema atenção pro que quer que fosse que a Cássia estivesse dizendo ou fazendo.
Das aulas de pintura.
Do matagal que tinha no final da rua.
Da casa (que hoje já não é mais nossa) quando ela ainda era de cor salmão (escolhida a dedo pela minha mãe).
Do meu quarto cor-de-rosa.
Dos meus cachorros.
Da brisa leve de uma tarde de verão.
Dos natais quando eles ainda eram mágicos.
Da Bruna, da Tamara, do Ramon.

Sinto falta de quando tudo era simples e eu era feliz.
Sinto falta de muito mais coisa, de cheiros e sensações.
Gosto do que me faz lembrar.

Mas do que eu sinto mais falta, é dela. Que não teve nada a haver com a minha infância, mas que me fazia dar o mais sincero sorriso não importando o que dissesse. Os sorrisos mais sinceros desde a magia da minha infância. Era tudo tão novo, como cair pela primeira vez.

E foi exatamente o que aconteceu, só que a dor chegou muito depois do torpor.