O que é afinal 'ser alguém' quando não se sente nothing at all. O que me classifica como ser humano, quando o mundo não sabe o que eu desejo fazer com o resto da humanidade. Quanta hipocrisia, quanta mentira, quanta revolta. Tudo isso dentro de mim. Fora de mim e ao meu redor. O que é amar, quando tudo o que se tem são memórias, como fugir do passado, quando não há futuro? Como agir no presente? Como não temer o amanhã? Como parar de pensar nele?
Todos esses cheiros, todas essas sensações, todas essas lembranças. Esse torpor. Esse nada. Que eu só percebo que um dia esteve vazio, pois um dia já foi repleto.
Como destruir as coisas que se ama, antes que elas destruam você? Coragem da onde? Vontade?
Desejar é tão fácil. Sentir saudades mais ainda. Mas como te contar que estive pensando em você? Que talvez a parte mais difícil do meu dia seja ir dormir sem nenhum vestígio de você.
E não há outra explicação plausível pra todo esse tempo em que estive entorpecida. Me apaixonei pelas suas palavras, pelas suas promessas. Chorei quando nenhuma delas foi cumprida. E ainda choro, de vez em quando, ao lembrar que nunca serão. E você disse que era pra sempre, amor eterno enquanto durou. Me disse que foi perda de tempo, e que nunca deveríamos ter acontecido. Mais calmo, depois, me explicou que o pra sempre foi tão sincero quanto o nunca, e que ambos tinham a mesma duração. Esqueceu de deixar uma roupa, um bilhete, um beijo de adeus. Levou minha sanidade e deixou dúvida em seu lugar, por todo o tempo em que estive sonhando.
I meant forever.
Pra você foi fácil, substituir, esquecer. Só que nós não nos apaixonamos toda vez que conversamos. Amor sem ser o bastante, com distância suficiente pra separar.
Valeu a pena carregar tanto sentimento? Você ainda se lembra de mim e das vezes que nos amamos? Das palavras que dissemos, de tudo o que prometemos? Das juras de amor, das lágrimas de dor? Nunca estivemos na mesma página, apenas duas versões diferentes da mesma história.
Eu te amo. Ainda te amo. Ainda mais quando me lembro da sua voz, da sua risada, ou quando leio tua carta. Quando lembro que você ainda é o único, e eu sou seu. De corpo, alma, e coração.
F.