sábado, 3 de julho de 2010

Right here, right now.

E lá estava você, encarando o oceano do alto, desafiando-o. Talvez disputassem para saber quem piscaria primeiro. De relance, seus olhos de ressaca, cor-de-oliva e toda sua transparência, minha passagem pra sua alma.
O sol teimava em aquecer o outro lado da montanha, fazendo sombra na infinitude salgada, cheiro de maresia, areia nos seus cabelos desarrumados pelo vento.
E era isso, até onde os olhos podiam enxergar. Não que eu visse algo além de você.
Sem ver teu corpo, teu rosto, sem saber teu gosto, teu cheiro. Te reconheci por um olhar.
Todas as estrelas que não deveriam estar no céu durante o dia, a não ser Vênus, despontando no céu degradê de outono.

Contei-as nos seus olhos.

Entrei na casinha destoada da paisagem, inconfortavelmente aconchegante, era quente. Estava em casa.

Me perdendo por entre as estrelas do céu e do mar, areia em meus cabelos, dessa vez. Uma dúzia de estrelas cadentes, fechei os olhos e desejei não estar nunca em outro lugar. Dia frio na praia. Laranja, verde e azul, pintavam o reflexo no mar.
Caminhei até o trapiche, deitei na beirada, de barriga pra baixo, observando a água rasa e cristalina, vida, tanta vida vivendo embaixo de mim. Toquei a água frágil com meus dedos tatuados e disturbei sua paz, você veio até mim pelo mar. Fitei seus olhos, tudo o que vi nos seus, fui eu mesmo. E vice e versa. De joelhos enterrados na areia, mãos no meu rosto.
Você molhado, salgado, gelado, fechou os olhos e me beijou. De olhos igualmente fechados, outra dúzia de estrelas cadentes, e pra que desejar? Talvez fossem fogos de artifício, talvez fosse só você e o efeito que tem em mim. Seu cheiro, meu oxigênio.
Sussurrei baixinho, pra que nem o vento pudesse ouvir, pra que isso fosse pra sempre um segredo, pra que ninguém soubesse que fim levou a perfeição.

Pra que só você guardasse o "eu te amo" que proferi em seus lábios.