Sinto falta de tantas coisas.
Sinto falta de dez anos atrás, sensações, de sonhos que eu costumava ter, de pensamentos e histórias. Sinto falta de cheiros e sabores, que me lembram outras coisas das quais sinto falta.
Sinto falta de pessoas e relacionamentos. Sinto falta de coisas que nunca tive.
Sinto falta daquela sensação que eu tive, quando passei por aquele lugar, escutando aquela música, e lembrei de alguém.
Reação em cadeia, efeito dominó. Sinto falta do futuro e do que nunca aconteceu.
Tudo o que foi realidade nos meus sonhos, aquilo que eu gritei à plenos pulmões. Sinto falta de quando você dizia que me amava, e eu - tão tolo - acreditava, e não é só a falta que você me faz, é saudade, é aperto no coração e alma esburacada. É falta de oxigênio, é o mar derrubando o castelinho de areia.
São sonhos inutilizados e não reaproveitaveis.
É chuva e sol sem arco-íris, caixinha de lápis de cor sem vermelho, inverno sem cobertor, noite sem lua, é papel sem caneta.
Pra quem escreverei meus versos, com quem compartilharei minha insanidade, em quem vou pensar antes de dormir? Pode parecer que é só isso, mas não é.
É fácil se apaixonar pela dor.
De duas uma, ou você se fecha e guarda o verdadeiro amor pra si (mesmo que ele não exista mais), ou diz eu te amo pra cada estrela do céu.
Tão iguais. Tão diferentes.
O mesmo céu pra mim e pra você.