As pessoas passam de forma tão intensa pela minha vida, que às vezes nem o tempo consegue apagar as marcas.
Sejam elas recentes ou não. É sempre uma memória, pronta pra vir à tona. Pronta pra me ter de joelhos implorando pra esquecer quem as fez. Nunca é tão fácil quanto parece.
Pessoas, ações, objetos e palavras, marcam demais. Fazem sangrar demais.
É como se eu não pudesse me mover, ou ir em frente. É como se eu tivesse que ficar parada, esperando minhas lembranças drenarem todo o sangue do meu corpo, vendo meus próprios sonhos arrancando pedaços de mim. Se alimentando. Criando um outro eu de pura dor e angústia, de raiva e revolta.
Eu sou a que finge felicidade, que põe sorrisos falsos no rosto. Mas é o meu eu quebrado que eu vejo na frente do espelho, é o meu eu quebrado que aparece quando eu lembro de você.
Eu não posso te esquecer, e se tudo isso não passou de um pesadelo? Afinal eu não posso sentir falta do que eu esqueci. Eu preciso de você na minha mente, pra saber que você existe, como se te deixar pra trás fosse te fazer menos real, menos minha.
Mesmo que lembrar signifique se apegar ao passado, signifique estagnar e esperar pra sempre na estação, mas nunca pegar o trem.
Vendo as pessoas ao meu redor embarcarem. Mas nunca eu.