E eu lembro de tudo o que deveria esquecer.
Dos nossos sonhos, dos nossos planos, dos cheiros, sabores, da saudade. Da vontade.
Lembro de você. De tudo o que você já me disse.
Do 'eu te amo', do 'pra sempre'.
Da dor que eu senti quando vi tudo desmoronar.
De quando você me pediu pra ficar.
Da sua voz, do seu tom, do eu jeito de amar.
Eu me lembro das estações, do quanto eu te queria comigo em cada uma delas.
Me lembro de quantas vezes eu te desejei, de quantas vezes pedi alguém como você só pra mim.
E quando eu realmente te conheci, não havia mais como ignorar todos os sinais de que deveríamos ficar juntos. Não se muda o que já 'tá escrito. Era so uma questão de tempo, e eu encontraria o amor da minha vida. O único e o verdadeiro.
Como o vento que avisa a tempestade, você apareceu. Do nada me fez entender que se ama sem querer, mesmo quando não se deve. Tão rápido quanto. E sem deixar passos para que eu pudesse te seguir, você sumiu no horizonte. De presente, me deixou somente angústia e lágrimas.
Como se eu precisasse de algo mais pra me lembrar de você.
Você me feriu, me marcou.
Me moldou à sua forma, mas levou embora teu corpo, meu encaixe, você.
E de repente o inverno não tinha mais fim. E o frio não era lá fora, e sim em mim.
Nada tinha vida, ninguém tinha calor.
O sol iluminava, sem esquentar. O vento soprava, sem esfriar.
E eu continuava a atirar no escuro, sem acertar.
Você foi embora, você não me sente mais.